Por que alguns testes A/B são rapidamente aprovados, enquanto outros, com mais dados e confiança são ignorados?
A diferença não está no experimento. Está na forma como o resultado é apresentado.
Neste artigo, você vai aprender a transição entre métricas e impacto no negócio.
Introdução
Você passou semanas planejando um teste. A equipe se dedicou, os dados foram coletados e a análise é brilhante.
Você tem um insight que pode mudar o jogo. Confiante, você entra na sala de reunião e começa a apresentar:
“Nossa variante B teve um uplift de 12,7% na taxa de adição ao carrinho, com um p-valor de 0.04 e um intervalo de confiança de…“.
No meio da sua frase, você vê os olhares se perdendo. O CEO está checando o celular, a VP de Marketing parece confusa e a Diretora Comercial pergunta: “Isso significa que vamos vender mais?”.
Se essa cena soa familiar, você não está sozinho. Um dos maiores desafios para profissionais de CRO, muitas vezes não é nem gerar resultados, mas comunicá-los de forma eficaz para quem toma as decisões. A verdade é que esses stakeholders não entendem de CRO — e a culpa não é deles.
Como um executivo pensa (e decide)
Para comunicar bem, comece com empatia.
Um executivo passa o dia pulando de reunião em reunião, tomando dezenas de decisões complexas. O trabalho deles é mentalmente exaustivo. Eles não têm tempo nem energia para mergulhar nos detalhes técnicos do seu teste.
Eles pensam em uma linguagem diferente. A linguagem deles é de:
- Crescimento: Como isso aumenta a receita?
- Custo: Quanto isso vai custar para implementar?
- Risco: Qual o risco de não fazermos isso? E qual o risco se fizermos e der errado?
- Tempo: Em quanto tempo veremos o resultado?
Se você chega falando em p-valor e uplift de métricas secundárias, você está falando um idioma que eles não dominam e, francamente, não precisam dominar.
Os 3 erros mais comuns ao comunicar resultados
1. Começar pela tática, não pelo resultado
Começar explicando os detalhes do teste em vez do impacto no negócio pode te custar sua credibilidade.
C-Levels não precisam se preocupar com os detalhes táticos do experimento por um simples motivo: [que rufem os tambores] Eles contrataram você para isso!
Exemplo: “Em nosso último experimento descobrimos que aplicar um maior desconto traz mais receita captada, mas prejudica nossa margem. Não recomendamos seguir por esse caminho.”.
Se você está levando o resultado até eles, espera-se que tenha tudo corrido bem e que os resultados sejam confiáveis, não importa se com confiança de 95% ou 98%. Caso contrário, seu discurso seria outro, mas com a mesma objetividade:
“Infelizmente, não conseguimos extrair um resultado conclusivo do nosso último experimento devido à falta de tempo hábil e baixo volume de tráfego, nossa sugestão é…”.
2. Usar jargão técnico
Falar em “validade estatística”, “testes unicaudais” ou “MDE” para uma audiência que não é especialista só vai te parecer um nerd dos dados e distante da decisão do negócio.
Você pode trocar: “A validade estatística observada foi de 95% para um uplift de 3,7% da taxa de conversão”;
Por: “Conseguimos verificar com segurança que tivemos um aumento de 3,7% da nossa taxa de conclusão de compras”.
Prefira termos que existam no dicionário do público e métricas que falem sobre impacto no negócio: confiança, impacto esperado, ganho de conversão, receita incremental, número de pedidos, ticket médio, etc.
3. Apresentar dados, não insights e recomendações
Mostrar gráficos e tabelas complexas sem traduzir o que eles significam em termos de ação e decisão só vai gerar dúvidas e confusão.
Lembre-se por que você está ali, provavelmente quer compartilhar uma mega descoberta, conseguir o buy-in para implementação do projeto, enfim… Você não está ali para ministrar um workshop de analytics.
“Descobrimos que os visitantes via celular foram os que apresentaram maior engajamento com a oferta, cerca de 35% acima dos usuários de desktop, por isso nas próximas campanhas nós recomendamos…”.
Conclusão
Comunicar resultados para executivos é menos sobre dados e mais sobre tradução e empatia. E – sinceramente – isso vale para conversas com qualquer hierarquia.
Ao falar a língua deles e focar no que realmente importa para o negócio, você não apenas garante que seus insights sejam ouvidos, mas também constrói a credibilidade e a confiança necessárias para transformar a otimização em um pilar estratégico da empresa.
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