Você já sentiu um receio antes de clicar em “enviar” seus dados para uma empresa nova?
Muitos usuários brasileiros vivem esse dilema diariamente entre a praticidade do digital e o trauma de golpes passados.
Mas o que diferencia as fintechs que explodem em crescimento daquelas que morrem no esquecimento? O segredo não é o código, mas a psicologia da confiança.
Introdução
Nos últimos anos, o Brasil viu nascer centenas de fintechs. Hoje já temos mais de mil, mudando a forma como lidamos com dinheiro, desde crédito até investimentos. Mas no meio desse crescimento todo, existe um obstáculo muito forte: a confiança. Conquistar a confiança de quem ainda associa segurança aos bancos tradicionais e físicos.
De que adianta ter um produto incrível se o usuário ainda sente medo em compartilhar seus dados ou concluir um cadastro? Quando o assunto é dinheiro, cada clique carrega dúvidas como “Será que é seguro?”, “Será que posso confiar?”.
Neste artigo, quero compartilhar o que aprendi na prática sobre como o CRO pode gerar confiança em um ambiente onde a desconfiança ainda é a principal barreira.
A falta de credibilidade afeta a conversão em fintechs
Mesmo com tantos avanços, o cenário financeiro digital ainda carrega um peso histórico: o brasileiro naturalmente desconfia.
E, sinceramente, ele tem motivos. Golpes, fraudes, promessas irreais… tudo isso molda o comportamento de quem está do outro lado da tela. E quando falamos de produtos financeiros, a credibilidade não é um detalhe, é o filtro que define se o usuário continua ou abandona a jornada.
Uma fintech pode ter um produto excelente, taxas competitivas, atendimento incrível; mas se o usuário não reconhecer a marca ou não entender quem está por trás, ele simplesmente não avança.
Se tem algo que aprendi trabalhando com CRO em fintech é que não existe dado “simples” para o usuário. As pessoas têm medo do que pode acontecer com as informações delas. E esse medo aparece de formas bem práticas:
- O usuário começa o cadastro mas trava no campo de CPF;
- Visualiza a landing page e não clica no CTA;
- Vê a etapa de enviar documento e simplesmente abandona a jornada;
- Lê “autorizar o uso dos meus dados” e acha que vai cair em golpe.
Principalmente no setor financeiro, esses fatores precisam ser contornados. Ele precisa confiar na marca. E confiar significa três coisas:
- Entender por que os dados estão sendo pedidos;
- Ver sinais claros de segurança e legitimidade;
- Sentir que a empresa respeita a privacidade dele.
Essas pequenas explicações podem reduzir drasticamente o abandono nas etapas sensíveis, apenas porque reduzimos o medo.
E quando o medo diminui, a conversão sobe.
Públicos diferentes confiam em coisas diferentes
Uma das coisas mais interessantes em trabalhar com CRO em fintech é perceber como pessoas diferentes precisam de motivos diferentes para confiar. Isso muda completamente a forma como elas lêem, interpretam e avançam dentro da jornada.
Existem muitos tipos de usuários, cada um com a sua história, suas dores e seu senso de segurança.
Usuários mais jovens tendem a ser mais rápidos, mais imediatistas e mais motivados por conquistas. Eles pensam em comprar um apartamento, um carro, viajar, organizar a vida financeira. Para esse público, mensagens de autonomia e praticidade funcionam muito bem.
Usuários mais velhos já vêm com outro tipo de preocupação. Falam sobre saúde, estabilidade, aposentadoria, remédios, segurança familiar. Eles valorizam uma comunicação que passe calma, clareza e zero pressa, afinal estamos falando de sobrevivência.
É por isso que uma fintech não pode se comunicar igual com todo mundo. Uma mesma frase pode soar empolgante para um público e assustadora para outro.
Quando você entende quem está do outro lado – o que essa pessoa teme, o que ela procura, o que ela não entende – a conversão deixa de ser um número e vira consequência.
A personalização de jornadas é essencial
Com tanta diferença entre perfis, expectativas e formas de confiar, fica claro que uma jornada única não serve para todo mundo. Esse é exatamente o ponto onde o CRO consegue mostrar sua força: não tratar a conversão como algo linear, mas como algo adaptável ao que cada pessoa precisa sentir para avançar.
Na prática, personalizar não é só mudar texto ou trocar uma imagem. É criar caminhos que façam sentido para perfis distintos, sem complicar o produto e sem gerar fricção desnecessária.
Personalização não é criar um fluxo para cada idade.
É sobre entender quais são as dúvidas e motivações de cada grupo e ajustar a experiência para que cada um se sinta “compreendido” pela marca.
E quando o usuário sente que a empresa entende a realidade dele (a necessidade, o medo, o momento de vida), ele avança com muito mais facilidade.
No fundo, personalizar jornadas em fintech não é uma questão de conveniência, mas sim de respeito. É necessário respeitar o contexto, a maturidade financeira, os medos e os sonhos de quem está do outro lado da tela.
Dicas para aumentar confiança e melhorar conversão
Aqui vão algumas práticas que funcionaram muito bem para mim, mas lembrando: tudo deve ser sempre testado e validado!
1. Explique o porquê de cada dado sensível solicitado;
2. Use prova social que realmente faça diferença;
3. Adapte a comunicação ao público certo;
4. Reduza a complexidade do onboarding;
5. Mostre segurança de maneira humanizada;
6. Teste sempre, mas sempre pensando em hipóteses e aprendizados.
CRO não é mudar botão por mudar. É entender o que está travando e testar com intenção.
Estas práticas, combinadas, criam uma jornada mais humana, mais transparente e muito mais segura para o usuário. E como já citado, quando a experiência passa confiança, a conversão vira consequência.
Conclusão
Trabalhar com CRO em fintech me ensinou uma coisa simples, mas que muda tudo: as pessoas não avançam porque o fluxo é bonito, elas avançam porque se sentem seguras.
No fim do dia, conversão em produtos financeiros não é sobre números, mas sim sobre pessoas com medo de cair em golpe, pessoas que já tiveram uma experiência ruim no passado, pessoas que só querem entender por que precisam enviar um documento, pessoas que têm sonhos e preocupações diferentes, dependendo da fase da vida.
E quando você começa a olhar para essas diferenças com respeito, os resultados aparecem.
