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Como escrever uma hipótese de teste A/B (com modelo pronto e documento de experimento)

Por Redação CRO Brasil ·

Como escrever uma hipótese de teste A/B (com modelo pronto e documento de experimento)

“Vamos testar um botão maior” não é hipótese, é palpite. Veja como transformar um achado de pesquisa em uma hipótese testável e o que o documento de experimento precisa ter antes do lançamento.

Índice do artigo

Ideia x hipótese

Uma ideia diz o que mudar. Uma hipótese diz por que, para quem, com qual efeito esperado e como vamos saber. A diferença importa porque, quando o teste termina, a hipótese permite aprender mesmo com resultado negativo; a ideia só permite dizer “não funcionou”.

Em uma frase: hipótese de teste é uma aposta explícita, baseada em evidência, que o experimento vai confirmar ou refutar.

O modelo de hipótese

Porque observamos [evidência da pesquisa], acreditamos que [mudança] para [público] vai causar [efeito esperado no comportamento], o que será medido por [métrica principal].

Cada parte tem função:

  • Evidência: liga a hipótese à pesquisa (analytics, pesquisa qualitativa, usabilidade, gravações).
  • Mudança: o que será alterado.
  • Público: onde e para quem (mobile, novos usuários, página de produto).
  • Efeito esperado: o mecanismo, ou seja, por que a mudança deveria funcionar.
  • Métrica: como o resultado será julgado.

Exemplos: hipóteses fracas e fortes

Fraca: “Testar um CTA verde na página de produto.” Sem evidência, sem mecanismo, sem métrica.

Forte: “Porque observamos em pesquisa on-site que 38% dos respondentes não sabiam o prazo de entrega antes de adicionar ao carrinho, acreditamos que exibir a estimativa de entrega por CEP na página de produto, para usuários mobile, vai reduzir a incerteza e aumentar a adição ao carrinho, medida pela receita por visitante.”

Fraca: “Simplificar o onboarding.” Forte: “Porque usuários que conectam o banco no primeiro dia têm retenção muito maior, e 60% abandonam o onboarding na etapa de convite de colegas, acreditamos que mover o convite para depois da conexão bancária vai aumentar a taxa de ativação, medida pela conexão bancária em até 24 horas.”

(Os números acima são ilustrativos.)

Uma hipótese, várias execuções

A mesma hipótese pode ser testada de formas diferentes. “Reduzir a incerteza sobre a entrega” pode virar prazo por CEP, selo de entrega rápida ou tabela de prazos por região. Se a primeira execução perde, a hipótese não está necessariamente refutada; pode ser a execução. Registre as duas coisas separadamente e considere uma nova execução, mais ousada, antes de descartar o aprendizado.

O documento de experimento

Antes do lançamento, cada teste precisa de um documento curto:

  1. Hipótese no modelo acima.
  2. Evidências com links para a pesquisa.
  3. Variantes com descrição e prints.
  4. Público e páginas que entram no teste.
  5. Métrica principal (uma só).
  6. Métricas secundárias (para entender o mecanismo).
  7. Guardrails (o que não pode piorar: ticket, margem, cancelamento, performance).
  8. Unidade de randomização (usuário ou sessão).
  9. Tamanho de amostra, MDE e duração calculados (veja Estatística de teste A/B).
  10. Critério de decisão (o que fazemos em cada cenário).
  11. Riscos e dependências (SEO, jurídico, outros testes na mesma área).
  12. Checklist de QA (dispositivos, navegadores, eventos disparando, divisão de tráfego).

Critério de decisão: definido antes, não depois

Defina antes do lançamento:

  • Se a variante vencer com significância e sem piorar guardrails: implementar para 100%.
  • Se a variante perder: manter controle, registrar aprendizado, avaliar nova execução.
  • Se for neutro: decidir com base em custo de manutenção, estratégia ou outros critérios definidos.
  • Se um guardrail piorar: não implementar, mesmo com ganho na métrica principal.

Decidir depois de ver o resultado abre espaço para racionalizar o que o time queria ouvir.

Registrando o resultado

Após o teste, complete o documento com: resultado da métrica principal (com intervalo de confiança), guardrails, qualidade do teste (divisão de tráfego, incidentes), decisão tomada, aprendizado sobre o cliente e próximas hipóteses. Esse registro alimenta o repositório do programa (veja Programa de experimentação) e evita que o mesmo teste seja repetido daqui a um ano.

Os erros que mais aparecem

  1. Hipótese sem evidência.
  2. Várias métricas principais, escolhidas depois conforme o resultado.
  3. Critério de decisão definido só depois do teste.
  4. Descartar uma hipótese por causa de uma execução fraca.
  5. Não registrar testes perdedores.

Perguntas frequentes

O que é uma hipótese de teste A/B?

Uma afirmação testável que liga uma evidência a uma mudança, um público, um efeito esperado e uma métrica.

Como escrever uma hipótese de CRO?

Use o modelo: porque observamos X, acreditamos que mudar Y para o público Z vai causar W, medido por M.

Quantas métricas principais um teste deve ter?

Uma. As demais são secundárias ou guardrails.

O que é guardrail em teste A/B?

Uma métrica que não pode piorar com a mudança, como ticket médio, cancelamento ou performance.

O que colocar no documento de experimento?

Hipótese, evidências, variantes, público, métricas, unidade de randomização, amostra, duração, critério de decisão, riscos e QA.

Se o teste perdeu, a hipótese está errada?

Não necessariamente. Pode ter sido a execução. Registre e avalie uma nova execução mais forte.