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Artigo · Experimentação

Eu decidi parar de ser o gargalo do meu programa de experimentação

Rafael Damasceno conta como tirou o gargalo do programa de experimentação da LawnStarter com uma skill de IA que transforma ideias em testes A/B documentados.

Rafael Damasceno

· 4 min de leitura

Neste artigo · 6 seções
  1. Checar a evidência
  2. Checar se dá para aprender alguma coisa
  3. Ajudar as pessoas a ficarem melhores em CRO
  4. Cuidar da documentação
  5. Ajudar a desenhar a mudança
  6. O que isso muda na prática

Autor convidado: Rafael Damasceno, líder de experimentação na LawnStarter e advisor da Métricas Boss.

Faz uns meses que eu venho montando uma skill do Claude aqui na LawnStarter para uma coisa específica: fortalecer o nosso programa de experimentação. A ideia é que qualquer pessoa da empresa chegue com uma ideia e saia com um experimento pronto para rodar.

As melhores ideias nascem nos times, e eu queria puxar essas ideias para dentro do nosso programa de experimentação. O problema é que ele tem poucos meses de vida. O pessoal ainda está pegando o jeito das práticas que fazem um teste A/B ser confiável de verdade, e eu não queria que isso segurasse ninguém.

Também não queria ser o gargalo. Sinceramente? Era exatamente o que eu estava virando.

Hoje qualquer pessoa chama a skill e descreve a ideia do jeito que falaria comigo no corredor:

“Eu gostaria de deixar a nossa garantia de devolução do dinheiro mais visível na landing page do Google Ads para ver se melhora a conversão de leads.”

Daí em diante, a skill cuida das partes em que normalmente alguém ia me chamar no Slack.

Checar a evidência

Ela vasculha o nosso data warehouse, o feedback de clientes e os docs de discovery atrás de sinais que sustentem ou derrubem a ideia.

Se aparece muita evidência a favor, a ideia sobe na fila de priorização. Se aparece evidência contra, a conversa muda: a gente refina ou abandona. Melhor descobrir isso em dez minutos do que depois de duas sprints.

Checar se dá para aprender alguma coisa

Com o tráfego disponível e a duração planejada, qual o menor efeito que a gente consegue detectar?

Se a resposta é um lift de 50%, aquela mudancinha de copy provavelmente não vale o tráfego. A skill avisa isso antes de qualquer um gastar tempo construindo nada. Dói ouvir, mas dói menos do que três semanas de teste inconclusivo.

Ajudar as pessoas a ficarem melhores em CRO

Toda hipótese precisa de um se, então, porque. E o porque tem que sair de um sinal real dos nossos clientes ou do nosso site. “Porque é boa prática” não cola, a skill barra.

Tem também uma biblioteca com 18 princípios comportamentais, de Lei de Hick a aversão à perda, passando por prova social e Lei de Fitts, para o pessoal conseguir explicar por que a mudança faria sentido.

Cuidar da documentação

Confesso que essa é a parte que me deixa mais feliz.

A skill usa as nossas definições de métricas e etapas de funil, então “lead” quer dizer a mesma coisa em todos os testes, até na forma de consultar o dado. E cada hipótese já nasce com mais de 20 pontos de dados e cinco documentos preenchidos.

Como todo experimento entra no programa por ela, a documentação nasce junto com a ideia. Manualmente, essa consistência não ia durar um mês.

Ajudar a desenhar a mudança

Outras skills cuidam das fases seguintes do teste, mas esta já ajuda a pessoa a rabiscar as primeiras variações. Ela olha os testes que já rodaram para ver o que funcionou e o que flopou, e ainda puxa o MCP do Mobbin para mostrar como outros produtos resolveram problemas parecidos.

O que isso muda na prática

Ainda falta bastante coisa para construir. Mas para mim o ponto principal de um programa de experimentação é esse: o conhecimento de CRO não pode morar na cabeça de uma pessoa só. Quando evidência, conta de poder estatístico, hipótese bem escrita e documentação viram o caminho padrão, ninguém precisa pedir benção para testar.

Eu não virei gargalo. Virei infraestrutura.

Sobre o autor

Rafael Damasceno é líder de experimentação na LawnStarter e advisor da Métricas Boss. Perfil de Rafael Damasceno no LinkedIn.