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Artigo · IA, GEO e AEO

IA aplicada a estratégias de negócios: o que Julia Neves apresentou na Abradi Rio

Resumo executivo No dia 19 de outubro de 2026, Julia Neves, da Optimiza, subiu ao palco do evento “O futuro do Marketing com IA”, da Abradi Rio com a ESPM, na Villa Aymoré, na Glória. O tema da palestra dela foi IA aplicada a estratégias de negócios, e a tese central: a disputa entre marcas

Taciana Serafim

· 7 min de leitura

Neste artigo · 9 seções
  1. Resumo executivo
  2. Da lista de links para a citação
  3. Como a IA decide o que citar
  4. Os cinco pilares que ela apresentou
  5. O caso que resume a tese
  6. Como medir: market share de citações
  7. O fechamento
  8. Para ler mais
  9. Perguntas frequentes

Resumo executivo

No dia 19 de outubro de 2026, Julia Neves, da Optimiza, subiu ao palco do evento “O futuro do Marketing com IA”, da Abradi Rio com a ESPM, na Villa Aymoré, na Glória. O tema da palestra dela foi IA aplicada a estratégias de negócios, e a tese central: a disputa entre marcas saiu da página de resultados do Google e entrou na resposta da inteligência artificial. Quem não for citado pela IA simplesmente deixa de existir para quase metade dos consumidores.

O dado que abriu a apresentação veio da pesquisa Mapa da Busca no Brasil, realizada pela Optimiza: 46% dos brasileiros já usam IA com frequência para pesquisar ou comprar produtos e serviços. E 25% ainda não usam, o que, nas palavras dela, parece bizarro dentro da nossa bolha, mas é o retrato do país.

Julia Neves, da Optimiza, palestrando no evento O futuro do Marketing com IA, da Abradi Rio e ESPM

Julia apresentou GEO (Generative Engine Optimization) e AEO (Answer Engine Optimization) como a evolução natural do SEO, sem se apegar à sigla: “o nome pouco importa, o que importa é o que você faz para a sua marca aparecer lá dentro”. O objetivo deixou de ser ranquear numa lista de links e passou a ser citado na resposta que a IA monta.

Na prática, isso muda o conteúdo. A IA não indexa páginas inteiras como o Google, indexa trechos. Um artigo de 10 mil palavras pode render só 200 para a resposta. E muda a autoridade também: backlinks continuam valendo, mas citação virou moeda. Para se aprofundar nos conceitos, o blog já tem um guia completo de GEO para quem faz SEO e um detalhamento de como a IA escolhe as fontes que cita.

Como a IA decide o que citar

Para explicar o que acontece por trás da tela, Julia contou uma história pessoal. Ela nunca foi à Disney na adolescência e decidiu realizar o sonho agora, adulta, pedindo ao ChatGPT um roteiro de 14 dias em Orlando. Pediu parques. Recebeu parques, dias de descanso, outlets, restaurantes e até o aviso de evitar parques no fim de semana.

O truque tem nome: query fan-out. Antes de responder, a IA quebra a pergunta em algo entre 10 e 15 buscas relacionadas, prevendo o que você perguntaria em seguida. E consulta dois lugares: a base própria do modelo, congelada na data de corte do treinamento, e, quando a base não basta, a internet, no mecanismo chamado RAG. Julia traduziu: “a IA buscando no Google”. É por isso que SEO continua vivo: quem está bem posicionado no Google abastece a resposta da IA.

A comparação que ficou: a IA é o Waze da tecnologia. Entrega a rota de menor esforço cognitivo, e a gente confia nela pelo mesmo motivo que confia no Waze. Se a sua marca não reduz atrito para a máquina, ela escolhe outra.

Os cinco pilares que ela apresentou

O checklist para aparecer nas IAs, segundo Julia:

1. Autoridade de marca e E-E-A-T. Conteúdo assinado por especialista de verdade, dados estruturados de pessoa e organização, e presença da marca em fontes externas. Na frase que arrancou risos: “uma fada do SEO morre a cada vez que alguém assina conteúdo como time de marketing ou redação”.

2. Conteúdo estruturado e legível por máquina. Resposta direta logo no início, parágrafos curtos, listas, dados com fonte e schema de FAQ, Article e HowTo.

3. Topical authority. Páginas pilar e satélite, linkagem interna e profundidade real no assunto. Quanto mais específica a pergunta, mais a IA prefere o especialista ao generalista.

4. Acessibilidade técnica. robots.txt com regras para crawlers de IA, llms.txt como mapa do site para os modelos e cuidado com bloqueios de JavaScript.

5. Distribuição multimodal. As IAs consomem muito conteúdo fora do seu site. Imagem otimizada, SEO para YouTube e presença em vários formatos contam pontos.

O caso que resume a tese

O exemplo mais forte da palestra foi a SETIN, incorporadora cliente da Optimiza que tem 10 apartamentos à venda. Dez. Mesmo assim, a marca aparece em AI Overviews disputando buscas genéricas sobre bairros de São Paulo com QuintoAndar e Zap Imóveis, que têm milhões de anúncios. O motivo: a internet comunica que a SETIN é referência no mercado imobiliário paulista. Para a IA, autoridade de nicho comunicada pesa mais que tamanho.

Outro caso foi o da própria Optimiza. Quando a pesquisa Mapa da Busca foi citada pela Forbes, a agência virou a fonte que as IAs citam quando alguém pergunta sobre buscadores no Brasil. E depois de participar de mesas no B2B Summit e ser citada pelo Mundo do Marketing, entrou em três novos prompts, sem ganhar um único backlink. Digital PR feito com foco em posicionamento de marca virou alavanca de visibilidade nas IAs.

Como medir: market share de citações

Não existe um “ChatGPT Search Console”. O método apresentado é estatístico: mapear os prompts em que a marca deveria aparecer, testar as respostas e registrar quantas vezes ela é citada.

No Google Analytics, o tráfego vindo de IAs já chega categorizado como AI Assistant, então dá para saber quantas pessoas não só viram a marca na resposta, mas clicaram e chegaram ao site. E um dado de concentração: na base de clientes mostrada, cerca de 95% das sessões vindas de IA saem do ChatGPT. Para detalhar a medição, temos um guia sobre como medir tráfego de IA no GA4 e monitorar citações.

O fechamento

Julia encerrou com um recado em três verbos: vire fonte, vire evidência e vire entidade.

Quem não sabe por onde começar pode validar o estado atual da marca nas IAs com o diagnóstico que a Optimiza oferece, cruzando site, palavras-chave e prompts relacionados.

Para ler mais

Perguntas frequentes

O que Julia Neves apresentou na Abradi Rio?

Julia Neves, da Optimiza, apresentou como aplicar IA nas estratégias de negócio através do GEO: dados da pesquisa Mapa da Busca no Brasil, o funcionamento das IAs (query fan-out e RAG), cinco pilares para ser citado, casos como a SETIN, e um método de medir market share de citações nas respostas das IAs.

O que é GEO?

GEO é Generative Engine Optimization, a disciplina de otimizar uma marca para ser citada nas respostas das inteligências artificiais, em vez de apenas ranquear numa lista de links. Também aparece com o nome AEO (Answer Engine Optimization).

O que é query fan-out?

É o mecanismo pelo qual a IA expande a pergunta original em 10 a 15 buscas relacionadas antes de responder, prevendo os próximos passos de quem pesquisa. É por isso que um pedido simples de roteiro volta com restaurantes, compras e dias de descanso incluídos.

Como medir a presença da minha marca nas IAs?

Não existe console oficial. O caminho é estatístico: mapear os prompts prioritários, testar as respostas e registrar a taxa de citação ao longo do tempo, inclusive contra concorrentes. No Google Analytics, o tráfego de IAs já aparece categorizado como AI Assistant.

Uma empresa pequena consegue aparecer nas IAs ao lado de players gigantes?

Sim. A SETIN, com 10 apartamentos à venda, aparece em AI Overviews ao lado de QuintoAndar e Zap Imóveis porque construiu autoridade de nicho no mercado imobiliário de São Paulo. Para a IA, especialização comunicada pesa mais que tamanho.