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GEO na prática: como o Sem Parar saiu de 6 para 204 perguntas monitoradas nas IAs

Por Taciana Serafim ·

GEO na prática: o case Sem Parar com free flow

O GEO na prática ficou mais fácil de entender depois deste case. O Sem Parar transformou uma operação de SEO tradicional em uma frente de GEO (Generative Engine Optimization) com mais de oito frentes de trabalho. Em poucos meses, a marca ampliou o monitoramento de 6 para 204 perguntas feitas às IAs, virou a fonte mais citada nas respostas sobre free flow e viu 16 páginas de um repositório público no GitHub serem citadas por cinco IAs em 32 dias. O case foi apresentado por Richson, do time de SEO do Sem Parar, no encontro GEO na prática, que a CRO Brasil realizou em 8 de outubro de 2026 na sede do Sem Parar Corpay. A frase que abriu a apresentação resume a mudança: a primeira conversão agora acontece dentro da resposta da IA.

Em resumo: o ponto de partida foi o zero clique: as impressões subiram 73% e os cliques caíram 12% em 2025. Medir só 6 perguntas mostrava 92% de menção à marca. Com a FirstAnswer, o monitoramento foi ampliado para 204 perguntas: a taxa caiu, mas apareceram as disputas que a média escondia. Hoje o site do Sem Parar é a fonte mais citada nas respostas monitoradas, seguido pelo blog da marca. GitHub, YouTube, Wikipedia e Google Meu Negócio passaram a funcionar como fontes externas que confirmam o que a marca diz. Corrigir dados inconsistentes no próprio site mudou o que as IAs respondiam sobre a marca.

GEO na prática: por que o Sem Parar começou

O Sem Parar passou a olhar para GEO porque a busca deixou de terminar no clique. Em 2025, o time viu as impressões crescerem 73% enquanto os cliques caíam 12%, o padrão clássico das buscas zero clique. Nas respostas das IAs, a marca pode ser citada sem que exista um link para o site. Por isso a primeira decisão do cliente pode acontecer antes de qualquer visita.

Havia ainda um contexto de mercado. O Brasil está adotando o free flow, o pedágio eletrônico sem cancela, e surgem dúvidas novas todos os dias: onde pagar, como pagar, quais rodovias já usam o modelo. Em 2025, o Sem Parar publicou mais de mil artigos sobre free flow com um objetivo claro: ser a fonte que informa o cliente durante essa mudança. O time partiu de uma premissa: SEO não morreu. Para Richson, o SEO é a infraestrutura sobre a qual as IAs fazem suas buscas.

O que é a régua de maturidade de GEO e por que criar a sua

A régua de maturidade é uma matriz própria que dá peso a cada iniciativa de SEO e GEO e mostra o que priorizar. O Sem Parar criou a sua porque recebia relatórios e recomendações de todos os lados, de agências a ferramentas, cada um apontando uma lista diferente de tarefas. A matriz reúne mais de 200 fatores, divididos em conteúdo, técnico e autoridade de marca, cada grupo com seu peso.

Entram ali dados estruturados, editorial de conteúdo, YouTube, PR e Google Meu Negócio, entre outros. O baseline, em abril de 2026, foi uma nota de 46,8. Na época, o time monitorava seis perguntas, tinha cinco lojas com ficha otimizada no Google e conseguia publicar uma página por sprint. A nota sobe mês a mês, e Richson relaciona essa evolução às conversões vindas das IAs.

Por que 92% de menção nas IAs não era um bom sinal

Em fevereiro de 2026, o Sem Parar monitorava seis perguntas e aparecia em 92% das respostas. O número era bom demais para orientar a estratégia, porque media só as perguntas que a marca já ganhava. O time queria saber o que acontecia fora desse recorte. Havia dois motivos: a expansão do free flow no Brasil, que gerava dúvidas novas todos os dias, e a vontade de comprovar os dados antes de tomar decisões.

Como a FirstAnswer ajudou o Sem Parar a ampliar o monitoramento

No começo do projeto, não havia ferramenta consolidada para medir a presença de uma marca nas IAs. Em abril de 2026, ao decidir ampliar o monitoramento, o Sem Parar fez uma rodada intensa de testes com ferramentas de IA. A FirstAnswer foi uma das primeiras: o time começou com um período de teste e segue usando a plataforma até hoje. Com a FirstAnswer, o monitoramento cresceu dez vezes entre fevereiro e abril e chegou a 204 perguntas em setembro. A meta é passar de 500, cobrindo outros serviços do ecossistema, como cartão de crédito e guincho.

A ferramenta também mostrou o que os relatórios tradicionais não mostravam. Olhando os dados na FirstAnswer, o time percebeu que nem todo o conteúdo publicado sobre free flow respondia às perguntas como a marca queria. Esses insights viraram um planejamento de conteúdo que segue em uso, e Richson descreve a plataforma como um grande sinalizador de todo o trabalho. Para não depender de uma única leitura, o time ainda comparou ferramentas diferentes e checou se os dados e as respostas divergiam. O objetivo era garantir que nenhuma lacuna da marca ficasse de fora.

O que a ampliação revelou: a bolha de perguntas

Com 204 perguntas monitoradas, a taxa de menção caiu. Nas palavras de Richson, a performance não caiu: a visão expandiu. A ampliação revelou o que ele chama de bolha de perguntas. Quem escolhe os prompts monitorados tende a escolher perguntas com a marca ou sobre o próprio produto. Fora dessa bolha, blogs e portais menores, que nem são concorrentes diretos, apareciam como fonte justamente nas dores que o Sem Parar queria resolver.

A expansão também protegeu o tema principal. Depois de um ano focado em free flow, o time percebeu que perdia relevância em pedágio no geral. A lógica adotada: pedágio é a página mãe, e free flow é um braço dentro dela. No período analisado, o Sem Parar ficou em primeiro lugar nas perguntas monitoradas, com 21 pontos percentuais de vantagem sobre o segundo colocado.

Quais fontes as IAs usam para falar de free flow

Nas 204 perguntas monitoradas, o site do Sem Parar é a fonte mais citada pelas IAs, seguido pelo blog da marca. O gov.br aparece logo depois, um concorrente difícil, porque sites governamentais e educacionais costumam ter muita autoridade. O YouTube também está entre as fontes mais usadas, e a central Ajuda Sem Parar aparece no top 10. Ao todo, três das dez fontes mais citadas levam o nome da marca.

O objetivo não é ser sempre o link principal. Em muitos temas isso não é possível. A meta é participar da resposta como fonte, estando dentro da disputa.

A marca como entidade: por que os dados precisam ser iguais em todo lugar

As IAs tratam uma marca como uma entidade e cruzam o que ela diz no site com o que aparece em outros canais. Se os dados não batem, a IA perde a referência de confiança. O Sem Parar viu isso na prática. Algumas páginas do site diziam que a tag abastece em 2 mil postos, outras em 3 mil e outras em 4 mil. As IAs repetiam a informação errada, porque não havia outra fonte para validar. O time corrigiu os números e passou a perceber o efeito nas respostas. Para Richson, a conversão vem dessas microcorreções que consolidam a entidade da marca.

GitHub como fonte: o repositório público de free flow

O Sem Parar criou um repositório público no GitHub que reúne tudo sobre free flow, e em poucas semanas ele passou a ser citado pelas IAs. A ideia surgiu de uma lacuna: ninguém no mercado consolidava todas as informações sobre o tema em uma única base estruturada. O repositório lista 85 praças e 26 rodovias, juntando dados próprios do Sem Parar, como uso de tags, a dados públicos de governo e concessionárias, todos organizados na linguagem da marca.

Os resultados:

  • Em 32 dias, 16 páginas do repositório viraram fonte em cinco IAs.
  • Em uma das perguntas monitoradas, o repositório passou o gov.br como fonte citada.
  • O conteúdo ficou aberto para quem quiser consultar, comentar ou replicar.

O aprendizado vai além do GitHub: todas as disciplinas de SEO, como PR e SEO para redes sociais, agora precisam ser executadas com excelência.

YouTube: um vídeo para cada pergunta

O YouTube aparece como fonte em 93 das perguntas monitoradas pelo Sem Parar, e 86% dessas citações vêm das IAs do Google. O ecossistema do Google combina vídeo, mapa e shopping, e usa tudo isso nas respostas. O plano é ter um vídeo para cada pergunta: pergunta curta, vídeo curto; tema longo, vídeo longo. A frente é tocada por Marina e Bruno, do time do Sem Parar, junto com o time de marca.

O detalhe que faz diferença é a transcrição. Um vídeo publicado só no YouTube não é lido por inteiro pela IA. Por isso cada vídeo precisa de uma transcrição bem elaborada, levada também para a página, além de dados estruturados organizados.

Wikipedia: um verbete neutro, sem puxar sardinha

O Sem Parar publicou um verbete sobre a marca na Wikipedia, escrito de forma neutra e sem tentar vender o produto. Richson alerta que essa frente dá trabalho, porque exige entender as regras da comunidade para ter o verbete aprovado. O verbete começou curto e hoje está muito maior, porque a própria comunidade da Wikipedia o atualiza. O time também está criando verbetes sobre a Corpay e sobre free flow, tema que ainda não existia na Wikipedia em português. Esses textos não falam diretamente da marca: descrevem o cenário de mercado de que a IA precisa para falar sobre o tema.

Google Meu Negócio: mais de 160 lojas e o sentimento da marca

O Sem Parar tinha mais de 160 lojas físicas com fichas no Google desatualizadas e passou cerca de dois anos reivindicando esses perfis. O problema aparecia nas IAs: algumas respostas diziam que a tag era boa, mas que os clientes reclamavam, usando avaliações das próprias fichas. O time otimizou as fichas e testou uma placa com QR Code e NFC que convida o cliente a avaliar a loja. Como num teste de CRO, uma parte das lojas recebeu a placa e outra não. As lojas com a placa performaram melhor. Onde a placa não funcionou, a causa estava na instalação: em uma loja ela ficou atrás do balcão, em outra, na frente.

Os números do teste:

  • As lojas passaram a receber 4,2 avaliações por dia no total.
  • A nota média subiu de 3,5 para 4,6 estrelas.
  • A fatia de avaliações 5 estrelas subiu de 57% para 90%, olhando 89 avaliações em 26 dias.

O próximo passo é criar páginas de loja no próprio site. Os perfis pertencem ao Google, não à marca, e o time quer transformar cada local físico em um ativo digital próprio.

llms.txt e a conversão das sessões vindas de IA

Em janeiro de 2026, as sessões vindas de IAs convertiam 1,1% no site do Sem Parar. Entre março e abril, o time publicou os arquivos llms.txt e llms-full.txt, e a partir daí cresceram tanto a conversão quanto o volume de acessos. As sessões vindas de IA passaram de centenas para milhares e seguiram crescendo até setembro. Richson atribui o resultado ao conjunto do trabalho: novas páginas, revisão de conteúdo e correção de dados inconsistentes.

Cada IA tem um comportamento

Cada IA prefere fontes e formatos diferentes, então o Sem Parar escolheu onde se destacar. A prioridade é o ecossistema do Google, com AI Mode, AI Overviews e Gemini, e o ChatGPT. O AI Overviews é o mais difícil para o tema, porque free flow envolve notícia e política. Já o Grok, que não é foco do time, cresceu muito. Pelas respostas, Richson atribui o avanço ao trabalho em fontes externas, como o YouTube.

Os modelos também mudam de comportamento com as atualizações. Ele lembra o caso do Reddit, tratado como grande fonte por um modelo do ChatGPT até bloquear o acesso.

Quatro aprendizados de GEO na prática do case Sem Parar

  1. Fure a bolha de perguntas. Monitore perguntas sem marca e use o SEO tradicional para fazer benchmarking, inclusive com quem não está no topo.
  2. Crie a sua régua. Em um mercado cheio de recomendações, uma matriz própria evita que o projeto mude de direção a cada relatório.
  3. Publique dados próprios. Números, percentuais e informações coerentes em todos os canais constroem a entidade da marca.
  4. Teste como em CRO. Suba a página e teste. Uma forma simples, usada antes de existir ferramenta: perguntar a uma IA sem histórico com a marca se a página faz sentido e ver como ela a interpreta.

O resumo de Richson sobre o GEO na prática do Sem Parar: aparecer nas respostas é o começo, ser a fonte que a resposta confirma é o trabalho do dia a dia, e furar a bolha de perguntas é o sucesso.

Perguntas frequentes sobre o case Sem Parar

O que é GEO?

GEO, ou Generative Engine Optimization, é o trabalho de fazer uma marca ser citada e usada como fonte nas respostas de IAs como ChatGPT, Gemini e AI Overviews. Enquanto o SEO busca posição nos links do Google, o GEO busca presença e citação dentro da resposta.

Quantas perguntas o Sem Parar monitora nas IAs?

Eram 6 perguntas em fevereiro de 2026 e 204 em setembro. A meta é passar de 500, cobrindo outros serviços além de pedágio e free flow, como cartão de crédito e guincho. O monitoramento é feito com a FirstAnswer, plataforma que o time usa desde o início da expansão.

Como o GitHub ajudou o Sem Parar a aparecer nas IAs?

O repositório público sobre free flow reúne 85 praças e 26 rodovias em uma base estruturada. Em 32 dias, 16 páginas dele passaram a ser citadas por cinco IAs, e em uma pergunta ele superou o gov.br.

llms.txt ajudou no resultado?

O Sem Parar publicou llms.txt e llms-full.txt entre março e abril de 2026, e as sessões vindas de IA cresceram depois disso. O time atribui o resultado ao conjunto das ações, e não a um único arquivo.

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