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GEO na prática: o que aprendemos no encontro da CRO Brasil no Sem Parar Corpay

Por Taciana Serafim ·

GEO na prática: o que aprendemos no encontro da CRO Brasil no Sem Parar Corpay

GEO não substitui o SEO, mas muda o que significa ser encontrado: agora a marca precisa ser citada e confirmada dentro das respostas das IAs. Essa foi a linha que atravessou o encontro GEO na prática, que a CRO Brasil realizou em 8 de outubro de 2026 na sede do Sem Parar Corpay, com três cases reais de marcas do grupo.

Em resumo: o Google segue dominante no Brasil, mas as IAs já são um canal de descoberta que as marcas precisam trabalhar. GEO mede citações e presença nas respostas, e não só posição e cliques. O Sem Parar mostrou como saiu de 6 para 204 perguntas monitoradas e virou a fonte mais citada sobre free flow. O Sem Parar Empresas mostrou por que, no B2B, a estratégia precisa ser por persona. E um teste com llms.txt em dois sites do grupo mostrou que a mesma tática tem efeitos diferentes conforme a maturidade do site.

Como foi o encontro GEO na prática

O encontro reuniu profissionais de SEO, CRO, conteúdo e marketing para ver GEO aplicado com dados de mercado. As 80 vagas se esgotaram e houve lista de espera. A programação teve quatro momentos:

  1. Apresentação do Sem Parar Corpay e do seu ecossistema de marcas.
  2. Introdução ao GEO com Julia Neves, fundadora e CEO da Optimiza, agência de SEO e GEO.
  3. Case do Sem Parar B2C, apresentado por Richson.
  4. Mesa redonda mediada por Julia, com Richson, Simone, do Sem Parar Empresas, e Diego, responsável pela aquisição orgânica de Zapay, Gringo e De Olho no Carro.

Sem Parar Corpay: muito além da tag

O Sem Parar Corpay é a marca institucional no Brasil da Corpay, empresa global de meios de pagamento presente em mais de 200 países. O Brasil é a segunda maior operação da Corpay, com cerca de 3 mil colaboradores. No Brasil, o grupo reúne cinco marcas:

  • Sem Parar: tag para pedágio, abastecimento e drive-thru, além de cartão de crédito e seguros.
  • Sem Parar Empresas: gestão de frotas, pagamentos corporativos e benefícios, como vale-refeição e vale-alimentação.
  • Zapay: gestão de débitos veiculares.
  • Gringo: gestão de débitos veiculares.
  • De Olho no Carro: consulta de histórico veicular pela placa.

Esse portfólio explica por que GEO entrou na pauta do grupo. Cada marca fala com um público diferente e é encontrada de um jeito diferente nas IAs.

O que é GEO e qual a diferença para o SEO

GEO, ou Generative Engine Optimization, é a otimização para que uma marca seja citada e usada como fonte nas respostas de IAs como ChatGPT, Gemini e AI Overviews. O SEO tradicional busca ranquear na lista de links do Google; o GEO busca estar dentro da resposta. Julia Neves resumiu as principais diferenças:

AspectoSEO tradicionalGEO
ObjetivoRanquear na lista de linksSer citado e mencionado nas respostas
Métrica principalCliquesCitações, menções e tráfego vindo das IAs
ConteúdoPalavras-chave e páginas longas, indexadas inteirasTrechos claros, porque a IA guarda parágrafos e descarta o resto
AutoridadeBacklinksMenções à marca e PR, que associam a marca aos produtos
ProcessoBusca por palavra-chave em páginas indexadasGeração aumentada por recuperação (RAG): a IA consulta sua base e, se precisar, busca na web

Na prática, cada parágrafo, tópico ou intertítulo precisa trazer contexto e uma resposta direta, porque a IA avalia trechos, e não a página inteira.

O Google morreu? O que dizem os dados

Não. Segundo a pesquisa Mapa da Busca no Brasil, da Optimiza, o Google é o buscador mais lembrado por 72,4% das pessoas para produtos e serviços. O YouTube vem com 6,8%, e as ferramentas de IA aparecem em quinto lugar, com 4,4%. Quando a pergunta foi aberta, muitas pessoas citaram o Mercado Livre como segundo buscador, porque é ali que procuram produtos. A pesquisa também mostrou que 25% dos brasileiros não usam IA no dia a dia e 3% nem conhecem a tecnologia. Nos Estados Unidos, o padrão é parecido: buscadores tradicionais respondem por 80% das buscas, plataformas de e-commerce por 9%, redes sociais por 5% e IAs por 3%. A conclusão de Julia: as IAs são o futuro, mas o presente ainda passa muito pelo Google.

Como a IA monta uma resposta

Julia mapeou as etapas que acontecem entre uma pergunta no ChatGPT e a resposta final:

  1. Interpretação da intenção. A IA tenta entender o objetivo de quem pergunta.
  2. Query fan-out. A pergunta é desdobrada em 10 a 15 buscas paralelas. Quem pede um roteiro em Orlando provavelmente vai querer outlets, mesmo sem perguntar.
  3. Busca na base e na web. A IA consulta o que já sabe e, se precisar, vai a Google, Bing, notícias e redes sociais, inclusive sites de reclamação.
  4. Chunk ranking. A IA escolhe os trechos de conteúdo que mais fazem sentido e os reescreve com suas palavras.
  5. Peso das evidências. A autoridade depende do tema: uma especialista em SEO pesa mais sobre SEO, e um médico pesa mais sobre saúde.
  6. Resposta com citações. A IA gera a resposta e mostra as fontes, que podem levar tráfego ao site.

Os três cases do Sem Parar Corpay

Sem Parar (B2C): de 6 para 204 perguntas monitoradas. Ao ampliar o monitoramento, o time saiu da bolha das perguntas que já ganhava e virou a fonte mais citada nas respostas sobre free flow. Um repositório público no GitHub teve 16 páginas citadas por cinco IAs em 32 dias. Leia o case completo.

Sem Parar Empresas (B2B): GEO por persona. Separar as perguntas por público revelou dores em que a marca não aparecia. No caso Wellhub, a IA citava a marca sem o produto, e conteúdos do início da jornada corrigiram a lacuna. Leia o case completo.

Zapay e Gringo: o teste de llms.txt. O mesmo arquivo teve pouco efeito no site com SEO maduro e um salto muito maior no site com linkagem interna menos evoluída. O ChatGPT foi a IA que mais trouxe tráfego. Leia o case completo.

Sete aprendizados da mesa redonda

  1. Fure a bolha de perguntas. Monitorar só perguntas com a marca mostra uma taxa de menção alta e esconde onde a marca perde.
  2. Não olhe pela média. No B2B, cada persona tem perguntas e critérios de compra próprios.
  3. Aparecer não basta. A IA precisa trazer a informação completa e o produto certo.
  4. Seja a fonte fora do site. YouTube, GitHub, Wikipedia, Google Meu Negócio e PR confirmam o que a marca diz.
  5. Trate a marca como entidade. Dados diferentes em canais diferentes fazem a IA repetir erros.
  6. Teste como em CRO. Táticas como llms.txt funcionam de forma diferente em cada site.
  7. Meça além das menções. O que importa é o que acontece depois: eventos no site, leads, CRM e receita.

Julia fechou com uma visão de SEO em quatro pilares: tecnologia, conteúdo, autoridade e experiência. Para ela, não adianta ter o melhor conteúdo se o site não é lido, nem um site impecável sem nada relevante, nem os dois se ninguém fala da marca.

Como começar a otimizar para IA amanhã

No fechamento, cada painelista deixou um conselho prático:

Diego: faça engenharia reversa. Pesquise nas IAs as perguntas em que quer aparecer, veja as fontes citadas e o formato das respostas, e modele seu conteúdo e seu PR a partir disso.

Richson: crie uma rotina de testes, mesmo manual, e publique rápido. Com a IA o retorno vem mais cedo, e dá para otimizar depois.

Simone: comece pequeno. Escolha um termo, monitore, faça um teste controlado e acompanhe o impacto.

Julia: olhe para a marca, e não só para o site. Garanta que a mensagem seja a mesma em todos os canais.

Um ponto apareceu em todas as falas: o tema chegou à mesa da liderança. Para Julia, é a primeira vez que SEO e GEO estão tão presentes nas conversas do C-level, e isso facilita destravar projetos.

Perguntas frequentes sobre GEO

O que é GEO?

GEO, ou Generative Engine Optimization, é o trabalho de fazer uma marca ser citada e usada como fonte nas respostas de IAs generativas, como ChatGPT, Gemini e AI Overviews.

GEO substitui o SEO?

Não. O SEO é a base técnica sobre a qual as IAs fazem suas buscas. No Brasil, o Google ainda é o buscador mais lembrado por 72,4% das pessoas, segundo pesquisa da Optimiza.

Como aparecer nas respostas do ChatGPT?

Pesquise as perguntas em que quer aparecer, veja quais fontes a IA cita e em que formato responde. Depois escreva trechos claros e diretos, mantenha os dados da marca iguais em todos os canais e construa presença em fontes externas.

O que é query fan-out?

É quando a IA desdobra uma pergunta em várias buscas paralelas, de 10 a 15, para montar uma resposta mais completa. Por isso uma marca pode aparecer em respostas para perguntas que não a mencionam diretamente.

Próximos encontros da CRO Brasil

O próximo grande encontro da comunidade é o Analytics Summit, em 10 de dezembro, um dia inteiro sobre CRO, analytics e produto. Para continuar a conversa sobre GEO e SEO, entre nos grupos da comunidade em crobrasil.com.br. Agradecemos ao Sem Parar Corpay por abrir a casa e compartilhar dados reais, e a Julia Neves, Richson, Simone e Diego pelas conversas.

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