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Encontro · IA, GEO e AEO

Previsões para 2027: o que aprendemos no painel de SEO e GEO da CRO Brasil

O que mudou quando a IA passou a disputar a resposta: o painel de SEO e GEO da CRO Brasil, com Júlia do SEO, First Answer e Nestlé, sobre medir, bloquear e liderar nas IAs.

Taciana Serafim

· 12 min de leitura

Neste artigo · 10 seções
  1. A disputa mudou de lugar
  2. GEO é disciplina nova ou SEO com roupa nova?
  3. A IA está matando o tráfego orgânico?
  4. Como medir o que não vira clique
  5. Publishers e a economia do conteúdo
  6. Liberar ou bloquear o conteúdo para as IAs
  7. 2027: o que pesa mais, dentro ou fora do site?
  8. Liderança nas IAs não é garantida
  9. E no B2B, o que fazer com os materiais ricos?
  10. O que levar daqui

A disputa deixou de ser só pela primeira posição no Google e passou a ser pela resposta que a IA entrega. Esse foi o ponto de partida do encontro da CRO Brasil de 15 de outubro, que reuniu gente de SEO, dados e marca para discutir o que muda com a otimização para IAs generativas, o GEO.

A mediação foi de Júlia Neves, fundadora da Optimiza e conhecida como Júlia do SEO. Na mesa estavam Johanna, CEO e cofundadora da First Answer; Rodrigo, CTO e cofundador da First Answer; e Rodrigo, coordenador de Search Marketing da Nestlé para a América Latina. Outros participantes do papo também trouxeram contribuições ao longo da noite.

Júlia abriu com uma constatação: em 12 anos de mercado, nunca viu SEO tão requisitado na mesa do C-Level. GEO, AEO ou outra sigla, o nome importa menos do que o fato de a área ter voltado a ser prioridade, com orçamento. A seguir, o que a mesa defendeu, onde concordou e onde não.

A disputa mudou de lugar

GEO é disciplina nova ou SEO com roupa nova?

A primeira pergunta já dividiu a mesa.

Para Johanna, GEO está debaixo do mesmo guarda-chuva do SEO: “não existe forma de fazer SEO sem fazer GEO, e não existe forma de fazer GEO sem fazer SEO”. O que muda é o destino. SEO mira o Google; GEO mira a recomendação em chats conversacionais. E parâmetros técnicos antes negligenciados viraram indispensáveis, o que puxa outras áreas da empresa para a estratégia.

Rodrigo, da First Answer, vê uma camada a mais sobre o SEO. Tudo o que já valia continua valendo, com uma nuance nova: a forma como a IA consome a página. “Antes você otimizava para as pessoas lerem. Agora está otimizando para um robô ler, e eles estão lendo mais do que seres humanos.” Para quem começa do zero, ele recomenda montar a estratégia já pensando em GEO, porque o SEO vem junto.

Rodrigo, da Nestlé, discordou, e contou que dois meses antes teria respondido diferente. No SEO, quem ranqueava controlava a narrativa. Nas investigações de GEO das marcas da Nestlé, aparecem influenciadores, sites de governo e terceiros falando dos produtos, às vezes sem que o site da marca seja consultado. Além disso, o usuário sai da conversa com a IA muito mais preparado e chega à marca para resolver um problema, não para pesquisar.

Júlia ficou no meio: SEO e GEO são “diferentes o suficiente para não serem iguais, e iguais o suficiente para não serem diferentes”. Ela deu dois exemplos de técnica antiga que virou prioridade:

  • Schema. Sempre apareceu no relatório de auditoria e sempre ficou para depois. Agora todo mundo corre para implementar dados estruturados, porque facilitam a leitura pela IA.
  • Renderização de JavaScript. O mercado fingia que não era problema, até descobrir que a IA simplesmente não lê o site quando ele depende disso.

E trouxe o caso de um prospect da Optimiza: SEO bem feito, mas sem controle da narrativa externa. A solução passa por digital PR e redes sociais, fora do escopo tradicional de SEO.

A IA está matando o tráfego orgânico?

O tráfego de topo de funil caiu, nisso todos concordam. A divergência é sobre quanto isso importa.

Rodrigo, da Nestlé, separa dois mundos. Nos sites de conversão direta, a IA eliminou um tráfego curioso que já não gerava resultado. Mas há uma economia inteira de publishers, de jornais a criadores independentes, construída sobre o modelo “conteúdo atrai visita, visita gera receita”. Esse modelo está sendo duramente afetado, e ele se preocupa com quanto conteúdo de qualidade vai sobrar.

Rodrigo, da First Answer, vê mudança de comportamento, não perda de valor. Antes a pessoa abria 10 ou 15 páginas para decidir; agora terceiriza essa pesquisa para a IA e chega decidida. Ele já viu casos em que o tráfego caiu e o número de conversões se manteve estável. O conteúdo continua sendo usado, só que por outro tipo de leitor.

Johanna lembrou que os KPIs ainda não estão definidos, o que deixa os times expostos a questionamentos da diretoria. A analogia que ela usa: aparecer na IA é como ter um outdoor. Muita gente vê, você sabe que está sendo mostrado, mas não sabe exatamente quem chegou por ali. E o espaço é pequeno: uma recomendação típica traz cinco ou seis marcas.

Como medir o que não vira clique

Ninguém tem a métrica definitiva, mas a mesa compartilhou os sinais que já acompanha:

SinalOnde olharO que indica
Citações da marca nas respostas de IAFerramentas de monitoramento de IAPresença e participação na resposta
Impressões em AI OverviewGoogle Search ConsoleExposição no resumo gerado pelo Google
Origem “AI Assistant”Google AnalyticsVisitas vindas de assistentes de IA
Acessos de robôs de IA às páginasLogs de acesso do siteQuanto o conteúdo está sendo consumido
Tráfego não-branded vs. taxa de citaçãoAnalytics + monitoramentoEfeito do GEO isolado da busca pela marca
Matérias de digital PR usadas como fonteRespostas das IAsControle sobre a narrativa externa

O método da Optimiza, segundo Júlia, é excluir o tráfego de marca e comparar o que sobra com a taxa de citações nas IAs. Ela chamou de “migalha” o que o Google liberou no Search Console, mas reconhece que o Analytics já dá pistas. A conclusão dela: GEO se mede como SEO e também como branding.

Publishers e a economia do conteúdo

Os publishers vivem um dilema sem saída fácil. Bloquear as IAs reduz a chance de serem citados; liberar significa ver o próprio conteúdo virar resposta com, no máximo, um link discreto no canto. Júlia lembrou que o New York Times reagiu cedo, tratando esse uso como violação de propriedade intelectual. E resumiu o incômodo: a IA cobra assinatura premium dos usuários e não paga nada às fontes que usa.

Johanna citou o movimento da Cloudflare, que propôs aos publishers bloquear os robôs e cobrar pelo acesso. A aposta dela é que conteúdo independente e bem trabalhado passe a ser comprado, e que a IA que não pagar fique com respostas piores.

Rodrigo, da Nestlé, mencionou um grande site de turismo que contrata criadores para abastecer sua IA interna de roteiros. Para ele, é um modelo que só funciona para empresas grandes, e o tema deveria estar também na pauta dos políticos.

Júlia acredita que a regulação vem quando a dor chegar aos grandes portais. Hoje os mais afetados são os pequenos e médios, porque os grandes ainda têm tráfego de outras fontes.

Liberar ou bloquear o conteúdo para as IAs

A resposta da mesa foi “depende”, mas um depende bem objetivo: depende do que o seu conteúdo é.

Se o seu site é…RecomendaçãoPor quê
Site de marcaLiberarSe você não fala de si, terceiros falam por você, e recuperar a narrativa depois é mais difícil
Portal que vive de parcerias e PRLiberarSer fonte da IA vira argumento comercial
Conteúdo como produto (pesquisa original, jornalismo)Vale o debateConteúdo original tende a valorizar, mas jornais que bloquearam perderam relevância nas respostas

Johanna foi enfática no caso das marcas: o site é a fonte primária, a informação mais correta. “Alguém vai falar, no final das contas. Então que seja você.” Um dos participantes do papo, que trabalhou com seguros, deu o exemplo de um setor cercado de desinformação: quanto antes a seguradora explicar os direitos do cliente, melhor para ela.

Rodrigo, da First Answer, trouxe o lado técnico que pouca gente discute. Bloquear, na prática, é deixar um aviso na página, e ele depende da boa vontade de quem coleta. Participantes do papo completaram com o AI Labyrinth, recurso da Cloudflare que detecta robôs e os prende num loop de páginas sem valor, gastando tokens de quem faz scraping. E lembraram que a própria Cloudflare libera robôs registrados, o que torna o jogo assimétrico.

2027: o que pesa mais, dentro ou fora do site?

Os dois, mas em momentos diferentes da jornada. O site responde pela avaliação; os terceiros, pela recomendação.

Johanna lembrou que tudo depende das fontes que a IA usa em cada setor. Em seguros e B2B, a IA busca conteúdo denso, e o blog e os artigos do site pesam. Em beleza e vestuário, Instagram e TikTok dominam, e produzir muito no blog pode ser esforço no lugar errado.

Para Rodrigo, da First Answer, o site é “a base da verdade”. Na descoberta, terceiros pesam mais; na avaliação, quando o usuário pergunta preço e funcionamento, a IA recorre ao site próprio. Num teste, ele pediu à IA que explicasse a solução da First Answer, e ela acertou tudo porque leu a documentação da API, que um humano dificilmente teria paciência de ler. Outro participante citou o caso do Sem Parar, que publicou um repositório no GitHub e viu a IA usá-lo como contexto. Datasets no Hugging Face funcionam do mesmo jeito.

Um dos participantes do papo resumiu o outro lado numa frase: “nenhuma IA vai deixar o lobo cuidar das ovelhas”. Em busca comercial, você não será citado falando bem de si; alguém precisa dizer por você. Ao mapear o query fan-out, ele viu a IA primeiro definir quem é quem por fontes externas e só depois ir ao site atrás de “quem somos”, cases e história, páginas que muitas empresas nem têm direito. O alerta: vários posts de terceiros sobre você publicados ao mesmo tempo podem ser lidos como manipulação. Histórico consistente ajuda.

Júlia provocou: isso não é o velho link building com roupa nova? Rodrigo, da Nestlé, respondeu que antes bastava olhar para dentro e, no máximo, fazer link building. Hoje é obrigatório mapear influência externa, inclusive de influenciadores, algo que ele nunca imaginou ter que acompanhar.

Outras práticas que surgiram no debate:

  • Adjetivação. Qualificar a entidade sempre que ela aparece (“Fulano, CEO da Empresa X”) ajuda a desambiguar. Repetida com consistência, a qualificação vira verdade para a IA. Júlia confirmou: empresas que se autoproclamam “as melhores em algo” acabam aparecendo assim nas respostas.
  • YouTube como dado humano. O vídeo é uma das poucas fontes em que dá para saber que uma pessoa disse aquilo. E vídeo sem texto escrito na tela desperdiça sinal, porque esse texto também é lido.
  • Reputação fora do site. Júlia contou o caso de um cliente com SEO redondo sendo prejudicado pela nota no Reclame Aqui, que a IA usa para responder se a marca é confiável.
  • Testar antes de acreditar. Documentação do Google e das IAs não substitui teste próprio. Se funciona, funciona.

Liderança nas IAs não é garantida

A marca líder hoje nas recomendações ainda será líder daqui a seis meses? Em nichos consolidados, provavelmente sim. Nos demais, não há garantia.

Rodrigo, da Nestlé, lembrou que no SEO era igual: as mudanças eram mais lentas, mas líderes que dormiam no ponto perdiam posição. O conselho dele é avaliar o próprio nicho e evitar pânico desnecessário.

Rodrigo, da First Answer, apontou onde a liderança mais balança: setores que misturam marcas nativas digitais e tradicionais. Dependendo da pergunta, um banco digital aparece à frente de bancos centenários, porque sempre produziu conteúdo e esteve perto de influenciadores. Ele viu o mesmo com maquininhas de cartão.

Johanna chamou atenção para a cobertura de termos. Grandes marcas se surpreendem ao não aparecer em alguns recortes. O Sem Parar, por exemplo, aparecia para “tags de pedágio”, mas não para “free flow”. Ser a marca mais mencionada importa pouco se for pelo motivo errado.

O ponto mais técnico da noite veio de um dos participantes do papo: o Query Freshness Score. Na leitura dele, inspirada na patente Query Deserves Freshness do Google, cada subconsulta do fan-out tem um horizonte de validade. Na pergunta “melhor sushi de São Paulo”, a IA pode decidir que só vale conteúdo de até 90 dias, porque restaurantes abrem e fecham o tempo todo. Se a página que cita você tem 100 dias desde a publicação ou a última atualização, você pode sair da resposta, mesmo estando em primeiro no Google. Ele diz que já viu isso acontecer.

E no B2B, o que fazer com os materiais ricos?

A pergunta veio da plateia: e-book atrás de formulário ainda faz sentido? A resposta mais prática foi um modelo híbrido.

Rodrigo, da First Answer, explicou que LLMs gostam de números e afirmações precisas, então material rico reforça muito a resposta gerada. Mas, escondido atrás de formulário, a IA não chega. A saída: deixar a página aberta para os robôs e manter o formulário no caminho do visitante humano, que continua virando lead.

Johanna sugeriu acompanhar por URL se o material está de fato influenciando as citações, e não só aparecendo como fonte. Rodrigo, da Nestlé, lembrou que não há resposta única: é um julgamento caso a caso sobre o que você quer que influencie as respostas.

O que levar daqui

Se há um consenso, é que o trabalho ficou maior que o SEO clássico, mas começa nele. Sete ações que saíram da conversa:

  1. Trate o site como fonte da verdade: dados estruturados, JavaScript renderizável e páginas claras de “quem somos”, preço e documentação.
  2. Descubra quais fontes a IA usa no seu setor antes de decidir onde produzir.
  3. Construa autoridade externa com consistência, ao longo do tempo, e não em rajadas.
  4. Cubra as variações de termos que o seu público usa.
  5. Atualize o conteúdo dentro do horizonte de validade de cada tema.
  6. Mude o painel: citações, AI Overview, AI Assistant e consumo por robôs ao lado do clique.
  7. Decida sobre bloqueio a partir do que o seu conteúdo é, não por reflexo.

A conversa não termina aqui. A CRO Brasil é uma comunidade gratuita de profissionais de CRO, SEO, dados e Marketing que trocam testes, aprendizados e dúvidas reais do dia a dia. É no grupo de SEO e GEO da comunidade que esse debate continua.

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